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sexta-feira, junho 02, 2006


Ontem acabou por ficar sozinha, com as folhas de papel, para serem usadas de um lado. Foi mudar a carga à caneta e acabou com dois dedos negros, impassíveis a qualquer sabonete ou leite de limpeza. Fica a olhar os dedos e a água a cair. Lá dentro ouve o pai e o filho que lhe responde a qualquer coisa que ele perguntou. Não consegue perceber de que falam as vozes. Limpa as mãos à toalha azul que a sogra lhe ofereceu no aniversário. Um jogo completo de toalhas, toalhinhas, toalhões, tudo azul, como tudo era azul naquela casa. Chamavam-lhe a casa azul. Obviamente! Partilhavam um espaço onde cada qual tinha o destinado. Tudo no sítio certo. Azul. Encheu nove páginas. A letra miuda e nervosa, a correr. No fim não ficou contente e rasgou três. Guardou duas para mais tarde e meteu quatro na mala, para o dia seguinte. Tinha a posta já adiantada.