"Eu me preparei para enfrentar a adversidade. Estou acabando de escrever o Manual dos Frustrados, Fodidos e Oprimidos. Nele descrevo, minuciosa e sistematicamente, os métodos mais sujos e destruidores para se ir à forra de qualquer inimigo, seja ele quem for, forças armadas, companhias de serviços públicos, companhias de cartões de crédito, bancos, a polícia, o proprietário senhorio, a loja comercial, qualquer pessoa ou instituição que tem força e sacaneia os outros (...)"
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quarta-feira, março 28, 2007
terça-feira, março 27, 2007
quarta-feira, março 21, 2007

ÚLTIMO TESÃO
Alombo contigo há uma porção de anos
e vou-te dizer és um chato
não tens ponta de paciência
para a vida nem para ti próprio
já te ouvi discursos a mandar vir
já te carreguei às costas
bêbedo como um Baco de aldeia
mijando as ceroulas
és um adolescente retardado
faltou-te sempre a quadra do bom senso
vez por outra um livrinho
de versos vez por outra nada
qualquer um do teu tempo
está bastante melhor do que tu
deputado administrador de empresa
ministro da maioria
puta (alguns chegaram a isso)
só tu meu inocente brincas com a neta
açulas o cão pedindo
à família que te ature
o tipo um dia destes morde-te
que é para aprenderes
mas aqui entre amigos
vou-te dizer também
uma coisa importante não cedas
à tentação de mudar
fica nesta pele que é tua
como é que tu escrevias
merdalhem-se uns aos outros
o país mete dó
guarda o último tesão
para mandares
meia dúzia de canalhas à tabua
Lisboa
5/6/9-VII-95
Fernando Assis Pacheco, Respiração Assistida, posfácio de Manuel Gusmão, Assírio & Alvim, Lisboa, 2003
segunda-feira, março 19, 2007

"Torna-te quem tu és",
Friedrich Wilhelm Nietzsche
"Que é o infinito?
Por que te preocupas tanto?
Volta para dentro de ti mesmo!
Mas, se lá dentro de ti mesmo
Não te apraz achar
O infinito do ser e do sentir,
É humanamente impossível
Ajudar-te."
Goethe
(Gnosei Seauton = Conhece-te a ti próprio.)
Hoje acordei assim a roubar palavras a outros para encontrar as palavras que procuro. Dentro de mim? Fora de mim? Procuro o esquecido.O encontrado. Embrulhado em papel, para rasgar, para reciclar, para com novas formas criar outras.
quinta-feira, março 15, 2007
terça-feira, março 13, 2007

Me fiz gente se é que sou * naquela casa de porta azul que o tempo foi tornando menos azul... Lembro-me do esforço supremo, em bicos de pés, para tentar sem resultado tocar à campainha. Depois o esforço desapareceu e bastava esticar um dos braços para alcança-la e como gostava daquele som, familiar, protector, e do grito ouvido longínquo Já vai! e da espera com a impaciência de jovem, sem tempo a perder, com a cabeça cheia de vidas e mundos ainda por conhecer. O avô foi o primeiro a partir, inventei um teste, que teria que estudar muito e não fui ao seu funeral. Fechei a porta e fiquei no seu quarto a despedir-me do seu cheiro, a acariciar a sua roupa, o seu chapéu. Depois a avó, começou a ficar esquecida e confusa. Falava com as personagens das telenovelas. Achava estranho morrerem e renasceram logo de seguida numa outra série de televisão. Vestia-se, penteava as longas cãs, fazia uma longa trança e prendia-a enroladinha na cabeça. Os seus olhos azuis já não brilhavam. Estavam foscos. As mãos pequeninas continuavam agéis. Mas a avó já vivia numa realidade feita de pedaços de um passado rico mas já todo enterrado. A tia levou a avó e fechou a casa azul. A nossa casa. A casa que fazia de nós a família que foramos. A avó morreu. Não fui ao seu funeral. Fiquei sozinha com a dor e um bebé que era para a sua bisavó o seu filho Vasquinho, que morreu bebé. Hoje quando visito a casa choro por todos, pelas crianças que cresceram e correram mundo, pelos adultos que continuam as suas vidas e pelos que partiram e deixaram fechar a casa.
* Me fiz gente se é que sou, Agostinho da silva
sexta-feira, março 09, 2007
Tudo o que demora só pode ser melhor!

quinta-feira, março 08, 2007

Todas as vida têm uma sequência. Esta fotografia é do carnaval. Depois virá a da Páscoa. A seguir as do Verão e, de repente, começam a cair de novo as folhas recém-nascidas, das árvores, e será Outono. Já? Afinal, o natal está próximo! Corridas ao consumismo.
"Faz-se árvore de natal, este ano? É melhor,... coitada da criança... "
Todos fomos crianças e temos memórias quer não se apagam com papéis rasgados e ilusões.
Esta fotografia é do carnaval. A Choninha mascarou-se para os Pêra.
terça-feira, março 06, 2007
